quarta-feira, 29 de julho de 2015

PRESIDENTA DILMA NÃO ENTENDE DE ECONOMIA.

Em reunião com políticos da base do governo, na segunda-feira,27 de julho, a presidente Dilma disse que a Operação Lava-Jato “provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro”. Ela não informou como chegou ao número.Mas se trata de uma estimativa inverossímil (um chute). Tanto quanto relacionar a crise brasileira ao exterior. A Lava-Jato, é fato, tem repercussões nas maiores empreiteiras do país e na Petrobras, maior empresa brasileira, porque, no circuito entre elas, deu-se o maior caso de corrupção da República. E é provável que no Império também não tenha ocorrido algo igual. Trata-se de crime que não pode ficar impune. A perda de ritmo de investimento da Petrobras, porém, é parte pequena no cenário da crise. Que, em 2013, já sinalizava que viria. No ano seguinte, a economia rateou, e o PIB terminou praticamente estável, com um crescimento ínfimo de 0,1%. Ele já desacelerava, não devido à Operação Lava-Jato —lançada em março e que passou a ampliar espaço no noticiário apenas no fim do ano —, mas porque foram cometidos erros crassos com a adoção do tal “novo marco macroeconômico”, cujos resultados são o forte crescimento da dívida pública, mais inflação e recessão.Assim, sabia-se que algum ajuste teria de ser feito em 2015. E ele veio. Responsabilizar a Lava-Jato pela perda de um ponto percentual de PIB é tentar jogar fumaça nos olhos da opinião pública. Compreenda-se o escorregão da presidente pela contingência do momento e do cargo. Pois é inconcebível achar que o Brasil estaria melhor sem a devassa anticorrupção. É o oposto. Punir exemplarmente corruptos e corruptores, neste circuito de grandes obras no setor público, melhorará a segurança jurídica dos investimentos. Será um forte fator de atração dos investidores.
O GLOBO.
29-07-2015.




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